
Formato: 16 X 23 cm
Número de Páginas: 376
Acabamento: Brochura
ISBN: 978-85-8033-037-3 |
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Rematar Clausewitz: Além Da Guerra
René Girard e Benoît Chantre
Este livro propõe-se a ser uma investigação da Alemanha e das relações franco-alemãs nos dois últimos séculos. Ao mesmo tempo, diz coisas que nunca antes foram ditas com a violência e a clareza que demandam: a possibilidade do fim do mundo como um todo. Possibilidade, hoje, real.
A hipótese do livro é mimética: os homens se imitam uns aos outros, mais do que os animais, e por isso tiveram de encontrar um meio de conter a similitude contagiosa, capaz de produzir o puro e simples desaparecimento de sua sociedade. O sacrifício é o mecanismo que traz de volta a diferença onde todos haviam se tornado semelhantes entre si. Assim, milhões de vítimas inocentes foram imoladas desde a aurora da humanidade para permitir que outros seres humanos vivessem em comunidade, ou para que pelo menos não se matassem uns aos outros.
Todo o meu trabalho até agora apresentou-se como uma discussão da religião arcaica desde a perspectiva da antropologia comparada. Ele pretendia esclarecer aquilo que chamamos de processo de hominização, a passagem fascinante da animalidade à humanidade que ocorreu há milhares de anos. Minha hipótese é mimética: é porque os homens se imitam uns aos outros, mais do que os animais, que tiveram de encontrar um meio de conter a similitude contagiosa, capaz de produzir o puro e simples desaparecimento de sua sociedade. O sacrifício é o mecanismo que traz de volta a diferença onde todos haviam se tornado semelhantes entre si. O homem é produto do sacrifício. É, portanto, filho da religião. Aquilo que, na esteira de Freud, chamo de assassinato fundador – isto é, a imolação de uma vítima substituta, simultaneamente culpada pela desordem e restauradora da ordem – é constantemente reencenado pelos ritos que estão na origem de nossas instituições. Assim, milhões de vítimas inocentes foram imoladas desde a aurora da humanidade para permitir que outros seres humanos vivessem em comunidade, ou para que pelo menos não se matassem uns aos outros.
René Girard
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