
João Cezar de Castro Rocha
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A Angústia da Evidência.
Ou: por uma Epistemologia Mimética
João Cezar de Castro Rocha
A questão da busca da evidência incontestável, no tocante à origem da cultura, tal como formulada pela teoria mimética, atravessa a obra de René Girard. Não seria exagero referir-se a uma “angústia da evidência” tipicamente girardiana. Ou seja, como apresentar o acervo de evidências reunido pelo pensador francês de forma convincente ou mesmo irrefutável?
Tal questão relaciona-se ao dilema característico de toda teoria que se propõe a esclarecer a “origem”, seja da humanidade, seja da religião, seja da história. Ora, para tornar o problema ainda mais complexo, segundo o horizonte aberto pela teoria mimética, os três fatores se encontram sob a égide da intuição fundamental do pensamento girardiano: o desejo mimético. Portanto, nesse caso, devemos falar em origens a partir de um princípio comum.
Ao mesmo tempo, a “angústia da evidência” ilumina, pelo avesso, a centralidade da literatura na formulação do pensamento girardiano, pois na impossibilidade de aceder à evidência direta, o texto literário representou para René Girard a possibilidade de driblar esse obstáculo a partir da criação de um método comparativo próprio.
Por fim, o método comparativo mimético talvez possa ser iluminado através da técnica hermenêutica conhecida como “interpretação figural”, descrita por Erich Auerbach. |